sexta-feira, abril 30, 2010

Os Famosos e os Duendes da Morte


Queria escrever alguma coisa sobre esse filme, mas não agora, pois estou com muita pressa e preciso trabalhar.

Assisti ontem e me impressionou muito pela qualidade, sensibilidade e impacto que me causou. Saí do cinema mudado, com a cabeça inundada em pensamentos e sensações, e é raro quando acontece isso. Fazia muito tempo que um filme não me tocava tão profundamente.

Enfim, queria escrever logo pois sei que ele deve sair de cartaz logo, está passando somente às 18 horas no Unibanco Arteplex do Frei Caneca, e é um filme que precisa ser visto, e no cinema.

sexta-feira, abril 23, 2010

segunda-feira, abril 19, 2010

Nina - Heitor Dhalia






Ontem vi "Nina", e, diferente do que eu mesmo esperava, gostei do filme. Não gostei tanto quanto poderia ter gostado se estivesse um pouco melhor dirigido, com algumas cenas mais bem resolvidas, mas gostei. Por ser o primeiro longa de Heitor Dhalia eu achei que estava bom, em geral os primeiros longas que se vê por aí são bem piores. Mas a evolução dele como diretor é enorme, basta ver "O Cheiro do Ralo" para perceber.

O destaque do filme é a Miriam Muniz, que faz a personagem Dona Eulália, e as animações, que são excelentes. A trilha sonora está bem colocada na maioria dos momentos. Dá pra ver uma influência da linguagem do cinema publicitário na direção do filme, e dá pra ver que Heitor é um diretor com futuro, que faz um cinema diferente do que se faz por aqui.

O filme não chega a ser um grande filme, nem dá pra dizer que é um filme muito bom, mas tem seu valor positivo.

sábado, abril 17, 2010

Barravento


A história é muito interessante, se passa num vilarejo de pescadores na costa da Bahia, um lugar isolado, com apenas uma pequeno contato com a cidade e a civilização: o comércio de peixes.
São pescadores negros, uma parte deles ex-escravos, que são obrigados a venderem seus peixes mais baratos para o dono da rede. A história se passa pouco tempo depois da abolição, com esse peso da história escravagista de nosso país pairando sobre os personagens.

A dramaturgia do filme é excelente, com pontos muito interessantes em jogo, como o ciúmes de Iemanjá sobre rapazes jovens e bonitos que são pescadores. E toda a ilustração musical com temas afro-brasileiros (mais afro que brasileiros) tem um valor histórico e estético enorme.

E, ainda por cima, é o primeiro filme do Glauber, que já mostra talento na direção, apesar de, para os dias de hoje, ser algo bem difícil de se julgar, já que todo o mis-en-scéné tem outra estética, outro ponto de partida, e todo o trabalho cinematográfico é diferente.

sábado, abril 10, 2010

Fazendo hora extra para mim mesmo

Durante os dias da semana tenho trabalhado desde as 8 ou 9 até umas 19, e depois disso eu trabalho para mim mesmo até as 22:30.

Na páscoa eu trabalhei para mim mesmo nos 3 dias. E hoje estou fazendo o mesmo.

Enfim, quais são os meus planos? Dar a volta ao mundo.

Em três semanas eu enviei meu vídeo "Vou Mandar Pastar" (videoclipe da música do Vinícius Calderoni) para 21 festivais pelo mundo afora. Japão, Finlândia, EUA, França, Itália, Espanha, Portugal, Brasil... E o "Noise James!" (videoclipe da música do Macaco Bong) enviei a 11 festivais...

Enfim, agora vai.

Na semana que vem começam as primeiras respostas. Até agora eu só tive uma: não. Mas é um outro projeto, mas, enfim, vou receber vários "nãos", certamente, mas sei que receberei muitos "sims", então vou continuar mandando bala.

segunda-feira, abril 05, 2010

As Multinacionais e as picaretagens

Eu não entendo como empresas grandes, que prestam serviços à tanta gente, podem seguir por aí cometendo atos ilícitos, irregularidades e diversos tipos de picaretagens em suas prestações de serviços.

Veja o caso da NET, por exemplo, que pratica, além de outros atos, a venda casada de seus produtos descaradamente. Ao oferecer seus combos sem a possibilidade de aquisição do produto individualmente (sem a possibilidade de aquisição).
Por exemplo: eles me vendem um serviço com 1 Mega de internet, + telefone, + TV a cabo que não uso e não quero. Porém, se eu quiser me livrar de pagar a TV a cabo serei obrigado a aumentar a minha velocidade de internet, aumentando assim para o triplo o preço da minha internet. Vou completar 2 anos de contrato com esses canalhas, totalizando em aproximadamente R$ 1000,00 de serviço pago não utilizado.
Venda casada = ilegal.

E que opção eu tenho? Nenhuma. Me diz qual operadora não pratica esse tipo de irregularidade? Todos praticam. Eu sou obrigado a aceitar, embora já tenha feito inúteis reclamações ao Procon.

Outra irregularidade são os contratos que prevêem multas caso você rompa em até 18 meses. Veja bem 18 MESES! É como um aluguel de casa, não faz o menor sentido você pagar uma multa por "fidelização" por uma prestação de serviços. É ridículo. É ilegal.
E outra coisa, se a empresa não cumpre o contrato nada acontece. Mas se você não paga seu nome é protestado.

Todo mês a minha internet cai um, dois ou mais dias, e eles avisam que é uma manutenção no sistema ou "problemas" na rede, mas é curioso notar que, no final do mês, quando chega a conta, eles cobram este dia em que não prestaram o serviço. Mais uma irregularidade.

E se você atrasa o pagamento? O que acontece? Eles cortam o serviço!!! Eles simplesmente cortam o serviço, o que é ilegal. E ainda por cima, ao receber, não descontam pelos dias de serviço não prestado. Isso é uma pratica abusiva comum de diversos tipos de serviços, telefonia, internet, tv a cabo... etc. Outro absurdo.

E onde está o MP estadual nessas horas? Os caras não fazem nada? Pra quê pagamos impostos para eles, se não trabalham?

Alguém aí que está lendo é do Ministério Público e poderia me responder, por favor?

sábado, abril 03, 2010

"Shutter Island"


Acabei de ver "Ilha do Medo", do Scorcese. Razoável. Não mais que isso. O filme é interessante, um roteiro bom, bem delineado, uma direção razoável, atores bons.
O destaque do filme é a atuação do Leonardo Di Caprio, o cara é muito bom, desde "Gilbert Grape, Aprendiz de Sonhador" já dava pra saber. Ele consegue atingir profundamente o personagem, se transforma completamente (apesar de não funcionar em qualquer filme, com qualquer diretor).

Os maiores defeitos do filme são o excesso e a superficialidade. Falta sutileza.

Logo no início do filme dá pra sentir, nos primeiros planos já temos uma atuação carregada do protagonista (Di Caprio - apesar de bom ator a direção não contribuiu). Em seguida começam os primeiros problemas técnicos de continuidade de cena, temos vários cortes "sujos", com mudanças no tom dos atores, mudanças nas posições, erros básicos de continuidade.
Me parece muito arrogante criticar a direção do Scorcese, mas eu senti tudo isso.

Na entrada da ilha temos excessos gigantescos da direção, temos um quase encavalamento temporal nas cenas da entrada do carro que os conduz dentro da ilha (o encavalamento se dá quando uma cena/plano tem mais de um início, que se repentem após o corte - é um erro de montagem, mas que só passa a existir por conivência da direção). Esses planos começam com uma filmagem em terra, mostrando o carro passar, em seguida dentro do carro, depois uma fimagem feita por um helicóptero, depois uma grua, depois uma câmera paralela ao carro, grua novamente, câmera alta, em seguida uma subjetiva do carro... enfim, a sensação que deu foi a de que o orçamento precisava ser justificado de alguma forma - parece que o diretor e o montador estavam extremamente inseguros e indecisos a ponto de não conseguir descartar nada do que tinha sido filmado para a "entrada triunfal" do filme - bem coisa de cinema Estadunidense.

Outro problema que me incomodou bastante foi o desenho de som, nesse caso uma questão puramente técnica, como em "Benjamin Button" eles pecaram em alguns detalhes, pequenos detalhes que ficaram sobrando e estragaram tudo. Entre eles um arquivo de um canto de pássaro repetido, que foi usado numa cena num lago, um som de arquivo que já foi muito aplicado por aí afora (eu mesmo já ouvi ele num arquivo de protools), enfim, o tipo de detalhe que passa batido, mas estragou tudo, pois os caras tinham condições de criar algo, ou usar de forma mais sutil um arquivo cliché desses. Os diálogos estavam com alguns defeitos no som de fundo também, com cortes sujos, logo no início do filme dá pra ver que houve uma "limpeza" grosseira do áudio das cenas, tirando sons entre falas - uma prática de iniciantes.

A montagem do filme prejudicou muito os atores, houve um momento extremamente e especialmente grosseiro, onde cortaram e costuraram uma fala colocando o ator Mark Ruffalo de costas falando algumas palavras com um tom completamente desconexo com o resto.

No fim o que todos esses pequenos (ou grandes) problemas culminaram foi numa fraqueza estética e uma fraqueza de conjuntura, uma falta de unidade no filme. Faltou estilo, faltou uma personalidade. Ficou com cara de filme de açougue, que se faz industrialmente, um atrás do outro, como uma mercadoria.

Enfim, falta originalidade, falta humanidade. É um produto industrial, pode ser até considerado de boa qualidade, mas não deixa de ser um produto industrial, um insumo. Sem conceito, sem arte, cheio de fórmulas.

terça-feira, março 30, 2010

"It Might Get Loud"


Três guitarristas de três diferentes gerações juntos, uma lenda, Jimmy Page, um classico do pop rock, The Edge, e um de agora, Jack White.
São três ícones da guitarra reunidos, com grandes contrastes entre as suas vertentes musicais e a sua forma de se relacionar com o instrumento. E é interessante até notar a diferença das roupas e postura deles, Page com um sobretudo escuro, terno, cabelo comprido clássico, Edge meio grunge, anos 90, com um gorrinho na cabeça, e White vestindo gravata, suspensório retrô, chapéu, meio geração 2000. Isso diz muito sobre cada um deles, o que eu não esperava.

A estrutura do documentário é cronológica, mostrando um pouco da evolução de cada um dos três guitarristas, sua infância, adolescência, contato com a música, e amadurecimento. A forma como essa estrutura é trabalhada é muito interessante, pois cada um deles tem uma forma de contar, e são histórias muito diferentes, trabalhadas como narrativas paralelas, com separação em blocos, e cada bloco tem uma definição meio poética, tipo "de repente tudo mudou"...

É muito difícil comparar os guitarristas, dá pra dizer que um é melhor que outro, um é mais criativo e tal, mas não acho que seja um bom caminho para se partir. Afinal são muito diferentes, vale mais a pena observar o encontro das três diferentes gerações, Page e Edge com diferentes pioneirismos e as releituras do Jack White, que tem influências sonoras parecidas com Page.
Se observar o filme do ponto de vista da música The Edge fica um pouco deslocado, mas ele tem um peso interessante dentro do filme, de uma vertente pop, da guitarra ritmica e cheia de efeitos, que influenciou uma penca de guitarristas e bandas da atualidade, e Page, não tem nem o que dizer, o cara é um dos pais do que a música é hoje, tão relevante quanto Hendrix e outros pesos-pesados.

Enfim, é um documentário altamente recomendável para quem gosta de um bom rock e guitarras.

segunda-feira, março 08, 2010

Vou Mandar Pastar

Finalmente online meu mais novo trabalho, o videoclipe da música "Vou Mandar Pastar", de Vinícius Calderoni. Neste aqui eu fiz direção, roteiro e edição.

http://www.youtube.com/watch?v=7U5jZ5sskns

quarta-feira, janeiro 13, 2010

I'm a bad best friend

Tava ouvindo essa música agora, do Nada Surf, e me lembrei que precisava dizer: meu joelho já está quase bom, só preciso voltar ao médico para um último exame, mas acho que não vou precisar nem de fisioterapia, apesar de que ainda vou ter que esperar uns 2 meses para poder voltar a correr.

Um sorriso de domingo

Esses dias todos eu tenho pensado muitas coisas que não andei pensando nos últimos meses, em toda a vontade que eu tenho de voltar para o velho continente e passar muito tempo por lá, peregrinando por várias daquelas cidades, conhecendo as entranhas européias. Tenho muita vontade de largar tudo o que estou construindo aqui e ir passar uns tempos por lá, mas ao mesmo tempo eu ando bem satisfeito com o que está acontecendo aqui, com o que estou construindo e com os meus planos.

Esses últimos dias eu tenho pensado até coisas que não tinha pensado nos últimos anos, em pessoas que convivi, conheci e tudo o que aconteceu.
Me lembro de uma fase da minha vida em que tive uma epifania com o tamanho das coisas, do mundo, as pessoas, as quantidades de acontecimentos que podem se assomar à vida de uma pessoa.
E o mais difícil de tudo isso é conviver com a saudade das pessoas que já não fazem parte da sua vida, e a vontade de saber como estão essas pessoas que estão distantes, que já não são parte do seu dia.

Mas sempre tem o agora, o hoje e esse instante, que é quando estão acontecendo outras milhares de coisas. Sempre tem o céu e o mar e o acaso.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Joelho

Péssima notícia: rompimento parcial de tendão. Putz, que cagada, mas também ninguém mandou...

Enfim, talvez tenha que operar, o que é um saco, mas ainda não sei. Veremos. Pelo jeito eu vou demorar uns 6 meses para voltar ao que era. Paciência.

domingo, novembro 29, 2009

Como é bom tomar umas cervejas em casa, receber os amigos, ficar tranquilo num sábado à noite. Eu sempre gostei de sair; sempre gostei da noite; de todas as loucuras da noite, principalmente num sábado à noite; mas hoje estou aqui em casa, na minha casa, jogando, tomando cerveja, pensando sobre a vida e tranquilo, apesar dos pesares.

Neste momento está Victor, meu sócio, jogando um videogame com meu priminho Gabriel, que já não é mais criança, e sim um adolescente (como faz diferença a passagem de tempo... - ele é quase um filho meu, talvez um irmão, não sei). Meus amigos de Pindamonhangaba estavam aqui até uns 20 minutos atrás, mas já foram, e esse tipo de coisa é o que eu mais gosto. Receber os amigos em casa, minha família, pessoas queridas.

Um bom sábado à noite. Muito sossegado, principalmente para um cara como eu, mas uma boa noite.

Boa noite, durma bem. Um beijo.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Joelho

Sempre tive um joelho muito bom, pratiquei corrida por 3 anos, cheguei a correr 20 km de uma tacada só, ótimos desempenhos. Tenho inclusive um treino em operação de câmera forte, com um desempenho muito bom, quase um steady cam.

Bom, isso por enquanto é passado. Meu joelho agora está meio capenga. Deu uma melhorada boa esses dias, mas acho que só voltará a ser o mesmo daqui a uns 2 meses, com fisioterapia e paciência.

Vou contar aqui o que aconteceu.
No meu aniversário de 30 anos eu fui para o sítio do meu pai, chamei uns amigos, tomamos umas cervejas. Um dos meus amigos, que é músico, trabalhava no sábado à noite e só chegaria por volta das 5 da manhã. Então eu e o Lúcio, outro amigo que é advogado, ficamos tomando cerveja para esperar. Por volta das 5 estávamos devidamente embriagados, quando chegou nosso amigo Renato. Tudo estava muito divertido.
Saímos para passear no pasto, onde estão os cavalos, e eu estava descalço. Fiquei brincando com um dos cavalos enquanto o pessoal descia o morro em direção ao lago. Então, como eu estava a uma certa distância, resolvi correr para alcançá-los, e, como se não bastasse eu estar descalço e bêbado resolvi correr de uma forma alternativa, Elefantía, como chamamos. Claro que o resultado não foi dos melhores, caí e machuquei o meu joelho. Não sei exatamente o que aconteceu, sei que doeu e ainda está meio dolorido. Tive uma filmagem na semana passada e senti uma diferença nos meus movimentos, antes ninjas, agora meio piratas da perna de pau.

Ok, segunda-feira começa o processo de cura. Essas coisas são um saco. Já me disseram para não beber e correr num pasto húmido descalço...

terça-feira, novembro 17, 2009

Unfinished Busines

Novamente tentando terminar os trabalhos interminados. O "Rascunho de Pássaro", como sempre uma Odisséia, sempre se arrastando em todos os processos, orçamentos, detalhes, reuniões, etc... mas dessa vez vai, porque até o começo do ano que vem ele tem que estar pronto, senão não sei se terei paciência para continuar.
O "Escombros" já quase tem prazo para sair, eu devo conseguir um telecine do material essa semana ainda, e finalizo até o fim deste mês, para lançar no início de janeiro, e fazer carreira. Vai ser interessante, apesar de ser um filme já um pouco antigo do meu repertório, num estilo que eu já superei.
Tudo indica que o ano que vem será bem promissor, vou lançar 3 filmes e 2 videoclipes, provavelmente ainda no primeiro semestre, quem sabe preparar para rodar um longa. Veremos, mas antes tenho que terminar o que está interminado.

terça-feira, outubro 13, 2009

Melancolia

Hoje foi um dia triste. O dia em si não foi triste, na verdade foi um dia que poderia muito bem ter sido um dia feliz, um dia normal, como outros dias. Mas no fechar das cortinas o dia acabou resultando triste, algumas coisas aconteceram deixando o panorama da existência mais triste.

É triste ouvir de alguém que um projeto que foi desenvolvido com muito carinho, por muito tempo, algo que parecia tão importante, não significou nada. Quando, na verdade, quem tem que fazer esse projeto significar é ele mesmo, transmitindo para outras pessoas, difundindo pelo mundo afora, só assim tem resultado. Talvez não o estudante experimental, que está provando esses caminhos estéticos e dramáticos todos apenas para entender alguams coisas, como entender a vida, por exemplo. Mas sim aquele que está se atirando de cabeça à arte.
É duro ver alguém talentoso, um artista nato, tendo que levar uma vida por outro caminho, completamente separado da arte, da expressão artística, por não ter nenhuma condição de largar tudo por uma vida tortuosa e difícil.
Às vezes as pessoas esperam coisas concretas, realizações materiais e imediatas de algo que é fluido e intangível. É difícil compreender o crescimento, o desenvolvimento da própria alma e da vida através de algo que não responde com resultados imediatos, materiais e palpáveis.

Viver de arte não é ter resultados imediatos. Viver de arte é se conhecer, se aventurar numa incógnita que está perdida dentro de si, é explorar essa incógnita, esse lugar desconhecido do meio de nossas almas. Viver de arte é saber olhar o mundo à sua volta. Olhar os detalhes e também olhar o todo, medir esses dois valores, experimentar.
A arte é inexplicável, incategorizável, indescritível, apesar de muito se tentar descrevê-la, sistematizá-la, medí-la.
É muito difícil cumprir espectativas concretas e materiais em cima de algo que depende completamente de uma paixão, de uma entrega incondicional. E cujo resultado seja algo inpalpável, intocável concretamente, matéria de sonho.
É muito difícil entregar-se ao incerto.

O mais curioso é que, vendo uma pessoa próxima questionar porque ela vem se esforçando tanto, dando tanto de si pelo cinema e tendo tão pouco resultado, eu também fico meio abalado. Não que eu vá desistir como ele, não, nem cogito essa hipótese. Já pensei nisso outras vezes, claro que já pensei em desistir, muitas vezes, não poucas, mas não dá, não quero, eu amo o que faço. Não que não pudesse fazer outras coisas, claro que poderia, muitas outras coisas, música, artes plásticas, biologia, letras, filosofia, sei lá, acho que eu gostaria de fazer várias outras coisas, além de cinema, mas isso é o que mais gosto, e acho que é onde tenho mais talento. Porém é um campo muito incerto, e que depende de um talento que vai além do talento artístico de filmar, um talento social, um talento de se saber vender, distribuir seu trabalho, negociar seu trabalho, saber quanto vale o desenvolvimento do seu intelecto para transformar uma idéia em um filme, ter uma auto estima forte, saber se posicionar. E isso não vale só para o cinema, isso está em muitas outras profissões também.
É difícil constatar o crescimento através da arte, é difícil ver, sentir, observar esse crescimento.

Se eu desistisse a cada passo mais difícil que dou, a cada trabalho que não dá resultado concreto, a cada pequeno obstáculo dentre esses milhares de obstáculos que temos que transpassar a cada semana... se qualquer pequena dificuldade já me derrubasse do cavalo não teria feito nada.

Mesmo as oportunidades que tive na vida, as mais simples, fáceis de aceitar e tocar adiante. Como ser advogado, que era algo simples, fácil, que estava nas minhas mãos, já que eu tinha possibilidade de cursar uma faculdade de direito, advogados na família, possibilidades de trabalho, um caminho para seguir já bem delineado. Teria sido muito, mas muito fácil me tornar um advogado.
Porém o mais difícil para mim foi protelar meus sonhos. O mais difícil foi não arriscar e tentar fazer as coisas do meu jeito, mesmo que eu não soubesse o que era meu jeito. Quando desisti de seguir com direito eu simplesmente não sabia o que faria da vida, não tinha a menor idéia. Cinema me apareceu como uma loucura, algo que eu sempre quis fazer mais nunca achei que fosse um caminho profissional.

Me lembro quando tinha 16 anos, estava no colegial, e disse para o meu pai que queria estudar música, que queria ser baixista profissional. Meu irmão, por incrível que pareça, me encorajou muito, me apoiou, disse que eu teria futuro nesta área (e, modéstia a parte, eu era um baixista com um puta potencial, tocava pra cacete e tinha jeito pra coisa). Meu pai me desencorajou completamente, disse que não dá para viver de música, que eu iria passar por muitas dificuldades, que, se um dia o país tivesse uma crise os músicos, assim como os atores e pessoas do entretenimento, são os primeiros a serem descartados. Que as verdadeiras profissões são aquelas que existem mesmo em tempo de guerra.
Estudei direito por 8 meses, cheguei a estudar para fazer medicina. Mas mudei de foco, desisti dessas áreas e me atirei às incertezas, à incógnita.
Seria um desperdício se eu me tornasse um advogado, um médico. Acho que eu seria bom mesmo é como músico, mas nunca me esforcei o suficiente nesta área, nunca tive coragem de me entregar. Em parte por ter sido brutalmente desencorajado, mas a culpa é só minha, eu sou o único responsável por minhas escolhas, e acho que escolhi bem, e não foi uma escolha fácil.

Acho engraçado também um sujeito, num escritório de um dos meus clientes, que olha para mim, vê meus trabalhos, e diz que tenho uma vida fácil, que ele tem inveja de mim, que também queria trabalhar com audiovisual. Se é tão fácil, e se é algo que ele quer, porque não parte para essa vida?
Acho que ele tem medo. Um medo que até eu sinto às vezes, aliás, muitas vezes. Nunca achei tranquila essa minha opção profissional, mas é um medo saudável, que te faz entender muita coisa. Se não existisse esse medo não teria graça.

Se não rolar um friozinho na barriga o que mais importa?

quinta-feira, setembro 03, 2009

Link novo "Noise James!"

Tomei vergonha na cara e coloquei o vídeo "Noise James!" em uma definição melhor, dêem uma olhada:



ou no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=4XAgg7cvj6o

sexta-feira, agosto 28, 2009

Torrando o pão

Há quase um ano ganhei uma torradeira. Bom, na verdade não ganhei, ela estava quebrada, não ejetava mais os pães, e iam jogar fora (o que deveriam ter feito), mas como eu não possuia uma torradeira pedi para ficar, era só ejetar o pão manualmente manualmente.
Pois eis que hoje de manhã coloquei um pão e fui tomar banho. Ao sair do banheiro vi em meu apartamento, mais precisamente no teto dele, uma nuvem de fumaça branca espessa e muito, mas muito forte. Desliguei a torradeira que tinha um pão em brasas, quase passei mal, joguei na pia, dentro de uma vasilha suja que estava com água e lá ele permanece até agora.
O apartamento todo, as minhas roupas, toalhas, cabelos, sofás, tudo aqui agora está exalando cheiro de pão queimado.
Fato é que há um mês, mais ou menos, durante a madrugada eu estava trabalhando aqui no computador e coloquei dois pães para torrar. Voltei para cá e esqueci de tudo, só me lembrei quando a nuvem espessa de fumaça que fica no teto começou a descer e a me sufocar. Quando interrompi a torradeira já era tarde. Tive que abrir todas as janelas e sair de casa rápido, para não passar mal. O único problema é que era madrugada, dia de semana e não tinha para onde ir. Fui parar num posto de gasolina, numa loja de conveniência, onde comi um salgado horrível e tomei algo. Situação muito deprimente. Exilado de casa por conta de um pão torrado.

O efeito visual é bastante interessante, mais interessante que máquina de fumaça, pois parece um gelo seco, com a diferença de que a fumaça fica no teto, e não no chão. Porém, logo em seguida a fumaça se dissipa e sufoca, diferente da fumaça da máquina e do gelo seco. O ambiente fica insuportável, e o cheiro horrível. Se não fosse insuportável poderia ser usado em alguma filmagem.
Hoje até pensei em jogar fora a torradeira, mas não. Como eu não tenho outra torradeira vou ficar com essa.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Câmera C

Tive um sonho muito estranho esta noite. Estava em uma cidade próxima a São Paulo e ia participar de um filme como ator. Seria o protagonista.
Não conhecia ninguém da equipe, os outros atores, havia sido chamado por terem visto algum material onde estou atuando na internet e pensaram que eu me encaixava no papel.

Chegando lá me deparei com pessoas jovens e com pouca experiência, exceto o diretor, que era um pouco mais velho e tinha uma bagagem grande, e insistia em filmar com a cãmera C. Mas o que viria a ser esta câmera era o mais intrigante. Era um trambolho que devia pesar uns 80 kilos, feita numa espécie de caixona de madeira azul, que, para ser operada necessitava de, pelo menos, duas pessoas, uma delas carregando a câmera, que ficava apoiada na cabeça e nos braços, e outra pessoa fazendo os enquadramentos e olhando como a imagem estava ficando, ou como ficaria, pois o sistema era todo um mistério.

Enfim, despertei antes do filme ficar pronto. Não sei se a câmera C era realmente uma boa câmera, ou apenas um trambolho. Mas pelo que o diretor dizia ela tinha uma imagem inigualável, com cores totalmente diferentes, texturas e uma definição própria. Fiquei curioso.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Acho que é isso...

Já faz bastante tempo que não escrevo algo no blog, que não me preocupo com ele, nem com nenhum dos meus outros blogs. Todos abandonados.
Não sei quando foi, exatamente, que fui perdendo esse pique de escrever sempre sobre algo aqui, e não direcionar minha escrita apenas para outras coisas, mais profissionais e menos lúdicas. Já faz um tempo que não escrevo apenas pelo prazer de escrever, de trabalhar alguma idéia sem nenhum compromisso.
Já deve fazer uns bons meses que não faço isso com gosto.
Devo estar com a crise dos 30 anos, afinal eu já, praticamente, tenho 30 anos. Apenas mais uns 2 meses e meio e pronto. E por alguma razão isso afetou a minha cabeça.

Eu também já não me sinto tão à vontade para escrever aqui neste espaço, ainda que seja sem nenhuma pretensão. Ou qualquer bobagem que me calhe na hora. Qualquer reflexão que eu possa ter tido em algum desses dias estranhos que venho vivendo.

Enfim, fiquei com vontade de escrever algumas coisas.